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A luz de cor verde é enquadrada em comprimentos de onda entre 495 e 579 nanômetros, exatamente no centro do espectro de luz visível para os seres humanos. O nosso olho é capaz de distinguir mais tons de verde do que qualquer outra cor. O olho humano tem células fotossensíveis responsáveis pela captura das cores. Existem três tipos de cones especializados, cada um deles com diferentes comprimentos de onda: curto, médio e longo. Aqueles que capturam o verde são os de comprimento de onda média, no entanto, os especializados em comprimentos de onda curta e longa também são capazes de ver um pouco de verde, sendo a soma de todos os verdes a chave para distinguimos melhor e com maior intensidade.

Verifica-se também uma razão evolutiva no funcionamento dos nossos olhos em relação ao verde e está relacionado com o nicho ecológico no qual os nossos antepassados viveram centenas de milhares de anos atrás, do qual resultou uma melhor adaptação da nossa visão a esse comprimento de onda.

Provavelmente é esta a razão pela qual o ser humano se sente melhor em ambientes onde predomina a cor verde e encontra níveis mais altos de relaxamento quando o ambiente é iluminado com essa cor.

Fig1: Sensibilidade do sistema visual humano em função do comprimento de onda.

A maioria das câmaras usadas em visão artificial são equipadas com sensores CMOS.

Este tipo de sensor é composto por silício, que permite capturar comprimentos de onda entre ultravioleta (350nm) e infravermelho (1100nm). Estes sensores são capazes de converter fotões em eletrões, mas, dependendo do comprimento de onda, a sua eficiência nesse processo de conversão pode ser maior ou menor. Essa capacidade de conversão é chamada de eficiência quântica (EQ). Na maioria dos sensores atuais, a melhor eficiência quântica está na área central do espectro situando-se aproximadamente entre 500 e 600 nm.

Nos gráficos que podem ser vistos na seguinte página, podemos observar a curva espectral da eficiência quântica de alguns dos sensores dos principais fabricantes do nosso setor: CMOSIS, OnSemi, Sony e Teledyne e2v.

Fig 2: Curva de eficiência quântica de um sensor CMOSIS

Fig 3: Curva de eficiência quântica de um sensor OnSemi

Fig 4: Curva de eficiência quântica de um sensor da Sony

Fig 5: Curva de eficiência quântica de um sensor Teledyne e2v

 

Observando as diferentes curvas de EQ é possível verificar que os fabricantes mais reconhecidos na área da visão artificial utilizam sensores cuja eficiência quântica se encontra no verde.

Podemos assim concluir que as câmaras são mais sensíveis à luz verde, obtendo-se uma melhor resposta optando pela iluminação verde do que por qualquer outro tipo de cor com a mesma intensidade de iluminação.

As vantagens são várias: a energia necessária para iluminar os LEDs verdes é menor do que qualquer outro LED. No caso em que os processos são muito rápidos e precisam de um tempo de exposição muito curto, a luz verde permite uma imagem mais nítida do que usando qualquer outra cor.

Poderão questionar porque continua a ser mais usada a luz vermelha, principalmente em aplicações industriais, e a resposta é simples: os primeiros LEDs que chegaram ao mercado eram dessa cor e as outras cores surgiram após alguns anos. Assim, a luz vermelha foi mantida simplesmente pela tradição, sem levar em conta as vantagens de usar outras cores como o verde.

CONCLUSÃO

O uso de luz verde em aplicações de visão artificial industrial é substancialmente benéfico para operadores que estão trabalhando com esses sistemas de visão.

Os LEDs verdes são especialmente indicados, uma vez que o verde é o comprimento de onda do qual as câmaras têm uma maior eficiência quântica e, portanto, são as mais adequadas para visão artificial.